Mais do que moda!

‘O Funeral das Rosas’

Por Paulo Ricardo

É  cinema transgressor que você quer?  Esse exemplar de 69 da ‘nouvelle vague japonesa’ é o que você precisa. Nos anos 60, uma ‘nova onda’ tomou conta de algumas cinematografias mundo afora. O movimento no Japão foi uma das principais escolas.

‘O funeral das  rosas’ – filme que inspirou ‘laranja mecânica’ – é uma experiência radical de cinema, especialmente se pensarmos na data de realização. A direção é de Toshio Matsumoto.

Um mix dos arquétipos de Édipo com Electra que resulta numa terceira via de significação dos conhecidos complexos. A disputa de poder entre duas travestis, Eddi e Leda, pelo mesmo homem e pelo comando da casa noturna em que convivem é o pano de fundo de uma história com várias camadas superpostas de um Japão moderno e totalmente influenciado pelo ocidente. A maneira que essa história é contada segue essa linha de sobreposições de camadas, tornando o filme rico em interpretações. 

A ação é interrompida para depoimentos do elenco ou de simples transeuntes que cruzam o caminho das filmagens para ser  retomada logo em seguida, sem que essas interrupções prejudiquem nosso envolvimento com a obra. A desconstrução do tempo também é bem empregada com ótimo resultado na trama. Alguns dos elementos típicos da ‘nova onda’ , e de ‘filmes de culto’ – aquele que você cultua assistindo de novo, e de novo, e de novo – fazem do cinquentão ‘O funeral das rosas’ um clássico da vanguarda que tem sido redescoberto atualmente. 

‘O Funeral das Rosas’
‘O Funeral das Rosas’
‘O Funeral das Rosas’

Fotos: Reprodução.

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