{"id":120654,"date":"2015-01-09T20:00:48","date_gmt":"2015-01-09T22:00:48","guid":{"rendered":"http:\/\/www.agrund.com\/?p=120654"},"modified":"2015-01-12T11:41:51","modified_gmt":"2015-01-12T13:41:51","slug":"o-armario","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agrund.com\/index.php\/o-armario\/","title":{"rendered":"O arm\u00e1rio"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: right;\">Por T\u00e9ta Barbosa<\/p>\n<div id=\"attachment_120655\" style=\"width: 512px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.agrund.com\/wp-content\/uploads\/sites\/6\/2015\/01\/o-armario.jpg\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-120655\" data-attachment-id=\"120655\" data-permalink=\"https:\/\/agrund.com\/index.php\/o-armario\/o-armario\/\" data-orig-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/agrund.com\/wp-content\/uploads\/sites\/6\/2015\/01\/o-armario.jpg?fit=502%2C330&amp;ssl=1\" data-orig-size=\"502,330\" data-comments-opened=\"1\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;,&quot;orientation&quot;:&quot;0&quot;}\" data-image-title=\"o-armario\" data-image-description=\"\" data-image-caption=\"&lt;p&gt;O arm\u00e1rio&lt;\/p&gt;\n\" data-medium-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/agrund.com\/wp-content\/uploads\/sites\/6\/2015\/01\/o-armario.jpg?fit=300%2C197&amp;ssl=1\" data-large-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/agrund.com\/wp-content\/uploads\/sites\/6\/2015\/01\/o-armario.jpg?fit=502%2C330&amp;ssl=1\" decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-120655\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.agrund.com\/wp-content\/uploads\/sites\/6\/2015\/01\/o-armario.jpg?resize=502%2C330\" alt=\"O arm\u00e1rio\" width=\"502\" height=\"330\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/agrund.com\/wp-content\/uploads\/sites\/6\/2015\/01\/o-armario.jpg?w=502&amp;ssl=1 502w, https:\/\/i0.wp.com\/agrund.com\/wp-content\/uploads\/sites\/6\/2015\/01\/o-armario.jpg?resize=300%2C197&amp;ssl=1 300w\" sizes=\"(max-width: 502px) 100vw, 502px\" data-recalc-dims=\"1\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-120655\" class=\"wp-caption-text\">O arm\u00e1rio<\/p><\/div>\n<p>Fiz planos e tracei metas para a realiza\u00e7\u00e3o desta tarefa que parece simples, vendo assim, de longe, mas que \u00e9 pior do que zerar Alex Kid, sem morrer. Cheguei em casa cedo, como planejado, alonguei, respirei fundo, tomei uma cerveja e abri a porta do quarto: \u201c\u00e9 hoje, filho\u201d.<br \/>\nEle, que poderia fazer mimimi, engoliu o choro, encarou seu destino e proferiu as palavras m\u00e1gicas, \u201cvai, entra\u201d.<br \/>\nE assim come\u00e7amos a organiza\u00e7\u00e3o anual do guarda-roupa de Victor.<br \/>\nA ideia era limpar e se desfazer, desapega \u00e9 o lema mas, j\u00e1 que \u00edamos adentrar a caverna do drag\u00e3o, o labirinto do minotauro e libertar os prisioneiros de Azkaban, incluindo a\u00ed roupas que n\u00e3o cabem mais, roupas que cabem mas nunca foram usadas, roupas que ningu\u00e9m sabe de quem s\u00e3o e nem como foram parar l\u00e1, aproveitamos a oportunidade para arrumar.<br \/>\nAbrimos, em plena quinta-feira ensolarada, a porta do arm\u00e1rio de N\u00e1rnia, sem saber ao certo o que nos esperava do outro lado dos cabides. Tiramos de l\u00e1 poeira, meias sem par, provas antigas, duas ex namoradas, um restinho da inf\u00e2ncia e tr\u00eas sacos de roupas para doar. Enquanto esvazi\u00e1vamos a terceira gaveta, chegamos ao momento tens\u00e3o:<\/p>\n<p>\u2013 Victor, me explica isso aqui.<br \/>\n\u2013 Calma m\u00e3e, eu juro que isso n\u00e3o \u00e9 meu. Deve ser de um amigo. Juro.<br \/>\n\u2013 Victor Barbosa de Melo.<br \/>\n\u2013 N\u00e3o sei como isso foi parar a\u00ed.<\/p>\n<p>Nunca pensei em achar, no arm\u00e1rio de Victor, uma camisa p\u00f3lo branca com a marca do jacarezinho.<\/p>\n<p>\u2013 Seu pequeno burgu\u00eas enrustido.<br \/>\n\u2013 Mas eu nunca usei, juro.<\/p>\n<p>A camisa p\u00f3lo, apesar de ainda n\u00e3o legalizada l\u00e1 em casa, ficou no cabide para casos de vai que&#8230;.<br \/>\nA parte dif\u00edcil da arruma\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 tirar, jogar fora e limpar mas, colocar de volta. Para isso usamos uma t\u00e9cnica avan\u00e7ada, criada por pesquisadores da Universidade de Monstros, e aperfei\u00e7oada por anos de trabalho escravo (&#8220;Help, I slave&#8221;) na fun\u00e7\u00e3o de m\u00e3e: separamos as roupas por categorias.<br \/>\nA categoria blusa preta, por exemplo, inclui todas as camisas de bandas de rock, metal ou de desenhos estranhos que lembrem voc\u00ea sabe quem. Nessa classifica\u00e7\u00e3o, entram tamb\u00e9m as blusas pretas que n\u00e3o s\u00e3o, necessariamente, pretas. Exemplo: a branca do Ramones, a cinza do Black Sabbath e a marrom do Iron Maiden. Isso, porque, claro, apesar de n\u00e3o serem camisas pretas, t\u00eam alma de camisas pretas. Tereza, nossa secret\u00e1ria do lar, claro que n\u00e3o vai saber separar as blusas por alma, uma vez que todas se encontrarem na democr\u00e1tica m\u00e1quina de lavar. A\u00ed j\u00e1 viu, vai lavar a branca do Ramones junto com a branca do jacarezinho. Pronto, est\u00e1 iniciada o embate do \u201cdurmo de meia\u201d contra o \u201cpunk is not dead\u201d, fazendo sua lavadora de roupas parar, por vezes, de funcionar, sem voc\u00ea saber exatamente a raz\u00e3o. H\u00e1 mais coisas entre o sab\u00e3o em p\u00f3 e o amaciante, do que sonha sua v\u00e3 filosofia t\u00eaxtil.<br \/>\nComo havia mais categorias que gavetas, blusas de time dividem espa\u00e7o, em perfeita harmonia, com as roupas de malhar, por \u00f3bvia identifica\u00e7\u00e3o de tema esportivo. Cuecas e meias, no entanto, se estranharam um pouco por se encontrarem t\u00e3o pr\u00f3ximas, mesmo cobrindo partes t\u00e3o distantes do corpo.<br \/>\nO problema mesmo foram as roupas de \u201cficar em casa\u201d. Depois de duas gavetas inteiras de roupas de \u201cficar em casa\u201d \u00e9 que entendi a t\u00e1tica de Victor: toda e qualquer blusa que ele tinha pena de jogar fora ou doar ele jogava um \u201cah, eu sei que t\u00e1 desbotada ou furada ou nem cabe em uma perna minha, mas d\u00e1 pra ficar em casa, p\u00f4\u201d. Isso durou at\u00e9 que nos deparamos com um pijama do N\u00e1utico que Victor ganhou aos dois anos de idade. Esperei ele dizer, para chocar a audi\u00eancia, que dava pra usar em casa, no dedo mindinho, mas ele disse somente: essa n\u00e3o vai doar nem a pau. O que me fez criar uma nova categoria: roupas sentimentais.<br \/>\nNo fim, contemplando aquele guarda-roupa limpo e organizado, fui em dire\u00e7\u00e3o a Victor, com olhos marejados e bra\u00e7os abertos, mas antes de chegar perto, ele disse, cheio de amor no cora\u00e7\u00e3o:<\/p>\n<p>\u2013Se tiver abra\u00e7o coletivo, eu vou morar com meu pai.<\/p>\n<p>Ah, os filhos! S\u00f3 love, s\u00f3 love.<\/p>\n<p>* Leia mais cr\u00f4nicas in\u00e9ditas de T\u00e9ta Barbosa no <a href=\"http:\/\/batidasalvetodos.ne10.uol.com.br\/\">Batida Salve Todos.<\/a><\/p>\n<p>Imagem: Reprodu\u00e7\u00e3o.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por T\u00e9ta Barbosa Fiz planos e tracei metas para a realiza\u00e7\u00e3o desta tarefa que parece simples, vendo assim, de longe, mas que \u00e9 pior do que zerar Alex Kid, sem morrer. Cheguei em casa cedo, como planejado, alonguei, respirei fundo, tomei uma cerveja e abri a porta do quarto: \u201c\u00e9 hoje, filho\u201d. 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