Por Letícia Santana

Um avanço na indústria da moda
As semanas de moda internacionais começaram e isso significa a volta do debate em torno dos padrões de beleza. Dessa vez, a responsabilidade foi colocada em primeiro plano e a prova disso é a decisão dos grupos Kering e LVMH (responsáveis por marcas de luxo como Louis Vuitton, Stella McCartney, Alexander McQueen e Lanvin) de banir modelos extremamente magras e as com menos de 16 anos das suas passarelas e campanhas.
O comprometimento das empresas também englobou o horário de trabalho das modelos que tem entre 16 e 18 anos: as marcas estão proibidas de fazerem casting, sessões de fotos ou desfiles entre 22h e 6h com elas. As garotas também deverão estar sempre acompanhadas de algum guardião e não poderá ser servido álcool durante o expediente. Kering e LVMH afirmaram em um comunicado para imprensa: “Respeitar a dignidade de cada homem e mulher é o coração dos valores de ambos os grupos. Tendo sempre cuidado com o bem-estar dos modelos, a LVMH e a Kering sentem que têm uma responsabilidade específica, como líderes da indústria, em dar um passo adiante com suas marcas”.
Não é novidade para ninguém que a moda coloca como padrão corpos inatingíveis, provocando, assim, uma série de transtornos alimentares e psicológicos em inúmeros modelos. Em 2013, Kirstie Clements, a editora de moda da Vogue Austrália, revelou: “Quando eu comecei a lidar com modelos no final da década de 1980, geralmente íamos selecionado a partir de um grupo de meninas locais, que eram naturalmente suaves e magras, tinham uma pele brilhante, cabelo brilhante e muita energia. Eles comiam com moderação com certeza, mas elas comiam. Não eram pele e osso. […] Mas comecei a reconhecer os sinais de que outras modelos estavam usando diferentes métodos para ficar magras. […] Quanto mais trabalhava com modelos, mais a privação de alimentos se tornava óbvia. Cigarros e Coca Diet formavam a dieta base”.
Um passo extremamente significativo, mas que está longe de resolver o problema como um todo. A problemática de obsessão por magreza continuará se propagando pela indústria da moda, sendo necessário muitos outros acordos, normas e fortes campanhas de conscientização para que aconteça uma verdadeira transformação. Por enquanto, é válido que esse caminho continue sendo traçado por outras empresas além das duas citadas para que um dia possamos celebrar a mulher diversa e uma moda inclusiva.
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Foto: Reprodução.