Por Paulo Ricardo
O novo filme do argentino Marco Berger traz um assunto denso e delicado: as redes de pornografia homossexual adolescente na deep web.
Carregado de mistério, suspense e ambiguidade, o filme aborda as questões de descobertas e aceitação da homossexualidade na juventude e como isso pode ser manipulado. É, também, sobre ética e confiança.
A trama tem tantas camadas e reviravoltas que é preciso ter cuidado pra não entregar as surpresas. É deixar-se seguir pelas buscas de Ezequiel, Momo, Chino e a pureza e segurança do jovem Martin. A relação ‘caçador e a caça’ pode ser lida aqui de diversas maneiras.
O cinema de Berger é notado pelo já conhecido maneirismo estético, e aqui ele está bem maduro e conduzindo como um mestre os elementos da sua narrativa cinematográfica: os silêncios, a música, o não dito e o não ouvido juntos, criam um clima de tensão inquietante – a sequência da noite na casa de Chino é o ápice disso – que nos envolve até o desfecho final.
Tá no catálogo da Netflix.



Fotos: Reprodução.